Apneia obstrutiva do sono

A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio em que a via aérea superior se fecha repetidamente durante o sono, causando pausas ou reduções importantes da respiração. Esses episódios podem provocar queda da oxigenação, microdespertares e fragmentação do sono. Muitas vezes, a pessoa não percebe que acorda várias vezes durante a noite, mas sente as consequências no dia seguinte, como cansaço, sonolência, irritabilidade, dificuldade de concentração e piora da disposição.
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AgendarO sinal mais conhecido é o ronco, especialmente quando é alto, frequente e associado a pausas respiratórias percebidas por outra pessoa. Também podem ocorrer engasgos durante a noite, sensação de acordar sufocado, boca seca ao despertar, dor de cabeça pela manhã, sono não reparador, sonolência diurna e queda de rendimento no trabalho ou nos treinos. Em alguns pacientes, a principal manifestação não é sono, mas pressão difícil de controlar, palpitações ou cansaço crônico.
Do ponto de vista cardiovascular, a apneia do sono é muito relevante. Cada pausa respiratória gera queda de oxigênio, aumento do esforço respiratório e ativação do sistema nervoso simpático. Isso favorece elevação da pressão arterial, maior variabilidade pressórica, inflamação, estresse oxidativo e sobrecarga do coração. Por isso, a apneia está associada a hipertensão arterial, hipertensão resistente, fibrilação atrial, outras arritmias, insuficiência cardíaca, doença coronariana e maior risco cardiometabólico.
A relação com hipertensão resistente é especialmente importante. Quando um paciente usa vários medicamentos e ainda assim a pressão permanece elevada, a apneia obstrutiva do sono precisa ser considerada. Muitas vezes, o problema não está apenas na escolha dos remédios, mas em um estímulo noturno repetido que mantém o sistema cardiovascular em estado de alerta mesmo durante o sono.
A apneia também é frequente em pessoas com obesidade, principalmente quando há acúmulo de gordura abdominal e aumento da circunferência cervical. Mas ela não ocorre apenas em pessoas com obesidade. Alterações anatômicas da via aérea, retrognatia, hipertrofia de amígdalas, uso de álcool, sedativos, envelhecimento, congestão nasal e predisposição individual também podem contribuir.
O diagnóstico é feito por polissonografia ou por exames domiciliares de sono em casos selecionados. A polissonografia avalia respiração, oxigenação, frequência cardíaca, roncos, movimentos corporais, estágios do sono e número de eventos respiratórios por hora. A partir desses dados, é possível classificar a gravidade da apneia e definir a melhor estratégia de tratamento.
O tratamento depende da gravidade, dos sintomas e do perfil do paciente. Perda de peso, redução de álcool, evitar sedativos sem indicação, dormir em posição lateral, tratar obstrução nasal e melhorar hábitos de sono podem ajudar em casos leves ou como complemento em qualquer grau de apneia. Em alguns pacientes, aparelhos intraorais podem ser indicados, especialmente quando há ronco importante ou apneia leve a moderada com anatomia favorável.
Nos casos moderados a graves, ou quando há sintomas importantes e risco cardiovascular associado, o CPAP costuma ser uma das principais opções. O aparelho fornece pressão positiva contínua durante o sono, mantendo a via aérea aberta e evitando os episódios repetidos de obstrução. Quando bem indicado e bem adaptado, pode melhorar roncos, sonolência, qualidade do sono, disposição e controle pressórico em muitos pacientes.
Um ponto importante é que tratar apneia não deve ser visto apenas como uma intervenção para parar de roncar. O ronco incomoda, mas o problema central é a repetição de quedas de oxigênio e microdespertares que sobrecarregam o organismo. Em pacientes com hipertensão, arritmias, obesidade, diabetes, insuficiência cardíaca ou fadiga persistente, investigar e tratar apneia pode mudar de forma significativa a condução clínica.
Na cardiologia do esporte, a apneia também merece atenção. Sono ruim prejudica recuperação, composição corporal, controle glicêmico, pressão arterial, resposta ao treinamento e performance. Um paciente pode treinar, fazer dieta e ainda assim evoluir mal se dorme fragmentado todas as noites por apneia não diagnosticada.
Em resumo, a apneia obstrutiva do sono é uma condição comum, subdiagnosticada e com impacto direto sobre saúde cardiovascular, metabolismo, energia e qualidade de vida. Roncos intensos, sonolência diurna, hipertensão resistente, obesidade, arritmias e sono não reparador são sinais que justificam investigação. Quando identificada e tratada adequadamente, a apneia pode melhorar sono, disposição, controle da pressão e reduzir a sobrecarga cardiovascular.
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Aviso: este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico, indicação de exames e tratamento dependem de avaliação individual. Procure um cardiologista para orientação adequada ao seu caso.
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