AVC isquêmico

AVC isquêmico

O AVC isquêmico, também chamado de acidente vascular cerebral isquêmico, acontece quando uma artéria que leva sangue para uma região do cérebro fica obstruída. Com isso, parte do tecido cerebral deixa de receber oxigênio e nutrientes de forma adequada. Quanto mais tempo essa região permanece sem circulação, maior é o risco de lesão neurológica permanente. Por isso, no AVC, tempo é cérebro.

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A obstrução pode ocorrer por diferentes mecanismos. Um dos mais comuns é a formação de um coágulo sobre uma placa de aterosclerose em artérias que irrigam o cérebro, como as carótidas ou artérias intracranianas. Outra causa frequente é a embolia, quando um coágulo se forma em outro lugar, como no coração em pacientes com fibrilação atrial, e viaja pela circulação até bloquear uma artéria cerebral. Também existem causas relacionadas a doenças de pequenos vasos, dissecção arterial, trombofilias, valvopatias, endocardite e outras condições menos comuns.

Os sintomas costumam começar de forma súbita. Os sinais mais importantes são fraqueza ou dormência em um lado do corpo, desvio da boca, dificuldade para falar, fala enrolada, confusão, perda súbita de visão, tontura intensa, desequilíbrio, perda de coordenação ou dor de cabeça incomum. Diante de qualquer suspeita, a orientação é procurar atendimento de emergência imediatamente, porque quanto mais rápido o diagnóstico e o tratamento, maiores são as chances de recuperação. O Ministério da Saúde reforça que o AVC ocorre quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem e que o diagnóstico e tratamento rápidos aumentam a chance de recuperação completa. (Serviços e Informações do Brasil)

O diagnóstico inicial precisa diferenciar AVC isquêmico de AVC hemorrágico, porque o tratamento é completamente diferente. A tomografia de crânio sem contraste costuma ser o primeiro exame na emergência, principalmente para excluir sangramento. Em muitos casos, também são realizados angiotomografia de vasos cervicais e intracranianos, ressonância magnética, exames laboratoriais, eletrocardiograma e monitorização cardíaca. A avaliação da glicemia é essencial, porque hipoglicemia pode simular sintomas neurológicos.

Na fase aguda, alguns pacientes podem ser candidatos a terapias de reperfusão. A trombólise intravenosa pode ser considerada em pacientes selecionados dentro da janela de tempo adequada e sem contraindicações. A trombectomia mecânica pode ser indicada em alguns casos de oclusão de grandes vasos, inclusive em janelas estendidas quando exames de imagem mostram tecido cerebral ainda potencialmente recuperável. Protocolos de atendimento ao AVC isquêmico destacam a importância de fluxo rápido, triagem neurológica, glicemia capilar, ECG, neuroimagem e avaliação de trombólise ou trombectomia conforme critérios clínicos e de imagem. (Hcor)

Depois da fase aguda, começa uma etapa fundamental que é a investigação da causa do AVC. Essa investigação pode incluir ecocardiograma, Holter ou monitorização prolongada para procurar fibrilação atrial, ultrassom de carótidas, angiotomografia ou angiorressonância de vasos, exames de colesterol, glicemia, função renal e, em casos selecionados, pesquisa de trombofilias ou doenças autoimunes. Identificar a causa é essencial porque a prevenção de um novo AVC muda conforme o mecanismo.

A prevenção secundária geralmente envolve controle rigoroso dos fatores de risco. Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo, apneia do sono e fibrilação atrial precisam ser tratados. Em muitos pacientes, são indicados antiagregantes plaquetários, estatinas de alta intensidade e controle intensivo da pressão arterial. Quando o AVC está relacionado à fibrilação atrial ou outra fonte cardioembólica, a anticoagulação pode ser necessária, desde que o risco de sangramento e o momento de início sejam avaliados com cuidado.

A doença carotídea também merece atenção. Estenoses importantes das carótidas, principalmente quando associadas a sintomas neurológicos, podem exigir avaliação para endarterectomia ou angioplastia com stent. Em outros casos, o tratamento clínico intensivo é a melhor estratégia. A decisão depende do grau de estenose, do tempo desde o evento, da anatomia, do risco cirúrgico e da avaliação conjunta com neurologia e cirurgia vascular.

A reabilitação deve começar o mais cedo possível, assim que o paciente estiver clinicamente estável. Fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição, psicologia e acompanhamento médico são partes essenciais da recuperação. O objetivo é recuperar função, reduzir sequelas, prevenir complicações, tratar disfagia quando presente, melhorar marcha, fala, equilíbrio, força e autonomia.

O papel da cardiologia é muito importante no AVC isquêmico, especialmente quando há suspeita de causa cardioembólica, fibrilação atrial, doença valvar, insuficiência cardíaca, endocardite, cardiomiopatias, forame oval patente em pacientes selecionados ou aterosclerose sistêmica. Muitas vezes, o AVC é a primeira manifestação de uma doença cardiovascular silenciosa.

Em resumo, o AVC isquêmico é uma emergência neurológica causada pela obstrução de uma artéria cerebral. O reconhecimento rápido dos sintomas, o atendimento imediato e a avaliação por neuroimagem são decisivos para definir tratamento. Após a fase aguda, a prioridade é identificar a causa e prevenir recorrência com controle de fatores de risco, medicamentos adequados, investigação cardiovascular e reabilitação precoce.

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Aviso: este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico, indicação de exames e tratamento dependem de avaliação individual. Procure um cardiologista para orientação adequada ao seu caso.

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